sábado, 14 de abril de 2007

Minha pequena gata negra.

Sexta-feira, dia 13. Gato negro. Nunca fui muito supersticiosa afinal; apenas algumas coisinhas que minha avó materna, querida Dona Ondina, deixou gravadas em minha mente. Mas, com certeza gato negro na sexta feira é que não foi...
Nossa primeira felina nesse estilo chegou à minha casa em 1988; tinha três meses e demos o nome de Gabi,... só Gabi,... nada de Gabriela ou coisa parecida. Calma, tranqüila, sossegada. Não era muito de colo. Algumas vezes subia na minha avó, mas só. Dia de açougue é que era o problema. Mas, como uma gata da casa de Zé Roberto, meu pai, era educadíssima, somente miava, jamais subia na pia ou na mesa para pegar a comida que não era sua. Mas acabávamos dando um pouquinho; quem é que consegue viver só de ração ?... Ninguém merece, né ?! De vez em quando a gente acaba fazendo um agradinho para esse nossos amiguinhos tão queridos, que nos dão tanta alegria.
Em 2002, no alto de seus 14 anos, a felina tranqüila foi parar no “céu dos gatos”, em seu merecido descanso. Agüentar um cachorro, cocker spaniel, o Spok, não é lá muito fácil. Não eram amigos. Spok chegou em dezembro de 2001, com o falecimento do meu pai. O povo achou que a casa estava silenciosa, ninguém mais ouvia música alta, todo mundo falava num tom mais normal, e a casa havia perdido bastante da sua alegria. Vamos comprar um cachorro para animar um pouco a casa... Não que isso fosse ajudar alguma coisa, mas poderia nos distrair. Afinal, a Gabi era muito quieta.
Os dois não se deram bem, pois o território sempre foi dela e veio essa coisa manchada grande e barulhenta roubar o seu espaço.
Brincadeiras à parte, minha felina morreu de leucemia. No ano seguinte casei. Fui morar em apartamento e não queria cachorros; trabalhamos o dia inteiro e não é justo com o bichinho, pois cachorro costuma ser muito carente.
No ano passado resolvemos adotar um gato. Passeando pelo centro do Gonzaga, acontecia uma feira de doações de animais, quando, de repente, não mais que de repente, deparei-me com uma gatinha minúscula, de costas para mim, quieta, da mesma cor que a Gabi. Puxei meu marido e disse: É essa! Ele todo cuidadoso explicou-me que ela estava muito quieta e que poderia estar doente. Sem discussão, ou é ela ou não é nenhum. Naquele mesmo dia passamos em um pet shop para comprar algumas coisinhas para a bichinha e o veterinário que estava lá nos disse que ela não tinha um mês. Soubemos, na feira de adoção, que a mãezinha fora envenenada (uma enorme crueldade, mas que nem vou me estender pois viraria livro...). Disse que provavelmente era da segunda quinzena de agosto. Eu mais do que depressa falei 14 de agosto (era aniversário de meu avô materno, Seu Edmundo). Leonina: perfeito. Nome: Lisa. Esse foi meu marido quem escolheu. Levamos uma semana. Como fã de Jornada nas Estrelas queria colocar Jadzia, Kira, Uhura. Afinal, minha mãe tinha um Spok (nome dado por mim, é claro). Mas, ficou Lisa.
Hoje, essa Lisa, é a nossa “terroristinha”, a “pequena mordedora”. Não consegue ficar sozinha; vai aonde tem gente. Especialmente se tem alguém na cozinha. Adora fazer “tocaias” para atacar os nossos pés. Ainda consegue enfiar metade do corpo debaixo do sofá. Ela ainda está crescendo e essa folga está acabando, hehehehehe.
A Sexta-feira acabou tranqüila, com exceção de uma chuva torrencial. E a bichinha só trouxe alegria para nós. Com certeza, a casa nunca mais foi a mesma. Tocaias, brincadeiras, quadros tortos e balançando na parede, lambidas, mordiscadas na bochecha às 6h30 da manhã para que eu acorde. De calma ela não tem nada. Ela nos enganou, isso sim, no dia em que a adotamos. Acho que o pensamento foi esse: “Vou ficar quietinha com essa cara de coitada que alguém me adota. Aí vou ter comida carinho e vão ficar falando comigo com aquele jeito meio engraçado, meio retardado. É isso aí. Lá vem vindo dois, acho que são eles”.
E fomos nós que trouxemos a pequena para casa.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Você não tem idéia do poder de destruição que esses pequenos fofinhos têm. Meus dois lindinhos já destruiram várias cortinas, dois sofás, as 6 cadeiras da minha mesa de jantar, entre outras coisas. Mas mesmo assim eles são meus amores. Não consigo ficar zangada com eles quando eles me olham com aquelas carinhas...
Depois te mando uma foto deles por e-mail. Beijos, Bel :)

segunda-feira, 16 de abril de 2007 às 17:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo said...

Olá, Lu.
Que bom que você está escrevendo.
Nada como usar o dom da palavra para expressar nossos sentimentos, pensamentos e sonhos.
Aliás, coisa que, nós, meninas, sabemos faser muito bem.
Um forte abraço, e continue escrevendo.

sábado, 21 de abril de 2007 às 20:37:00 BRT  

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