domingo, 25 de janeiro de 2009

Lembranças


Percebi que 2008 não foi um ano bom para eu escrever. Deixei muitas coisas de lado, por vários motivos. Mas, vamos ver se 2009 melhora e eu volto a fazer aquilo que eu sempre gostei: escrever. Gosto de deixar impressões daquilo que vivi, as experiências que tive, da minha infância feliz. É o que eu vou deixar para meu filho, assim como meus pais deixaram para mim e ainda deixam.

Aliás, não só os pais. Essa semana minha tia avó Yolanda apresentou-me a uma carta que meu bisavô Benedito Romeu Bruno escreveu para minha avó Ondina. O biso participou da Revolução de 1932, quando vovó tinha 12 anos e tia Yolanda 10, portanto ficou afastado da família, sem saber se voltaria para casa vivo.

Minha avó escreveu uma carta dizendo da saudades que sentia dele. Acredito que estes eram os termos pela resposta que o biso escreveu. Uma pena que a cartinha não está datada, mas como graças a Deus, a tia está entre nós, ela pode me contar.

Confesso, apesar de não ter conhecido o biso Bruno, fiquei com lágrimas nos olhos do jeito doce da sua escrita, ao se entitular "paezinho saudoso". Foi uma surpresa para mim, porque eu fazia uma imagem dele diferente - mesmo com as histórias que minha mãe conta - nas fotos um homem com olhar austero, com jeito de bravo, rígido. E essa carta foi me apresentado um homem rígido, sim, mas doce, saudoso, amoroso.

Minha mãe, como neta mais velha, conta várias histórias. Era sempre ela que ia pedir dinheiro para balas, ou para as comemorações do aniversário da bisa, que nasceu em 29 de junho (São Pedro). Primeiro ele dizia que "não, onde já se viu" e coisas do gênero. Depois, chamava minha mãe e dava o que havia sido pedido.

Conheci somente a bisa Pedrina, que sentava no chão comigo para brincar de bonecas, e mandava que eu tomasse cuidado com as coisas da Bete, sua neta e minha madrinha. Sou a bisneta mais velha, e portanto a que mais teve contato com ela.

Então, é sobre todas essas experiências que gosto de escrever, porque só escrever sobre as coisas tristes, mágoas, se a vida é tão curta e temos tanto a fazer. Pode ser que um dia eu escreva sobre as mágoas, as palavras maldosas ditas ou escritas para mim, mas não vale a pena ficar relembrando. Vale somente como experiência para que nunca aconteça de novo. Essas pessoas eu simplesmente tiro da minha vida.

Mas, pessoas como meus bisavós, meus avós, meus pais, meu marido, meus amigos mais queridos, esses eu quero sempre na minha vida. Quero que eles estejam sempre em cada momento vivido por mim, seja em pensamento, seja fisicamente.

Enfim, começo 2009 prá frente, procurando escrever mais, muito mais.

Um Feliz Ano Novo atrasado aqueles meus amigos que lêem estas palavras e às pessoas que ainda não são minhas amigas, mas que também passam por aqui.