terça-feira, 5 de julho de 2022

80 Anos - S.E. 25 de Dezembro


 

No último dia 29 de junho, nossa Casa Espírita fez 80 anos de existência. Não me lembro exatamente quando foi a primeira vez que entrei nesse abençoado lar, trazida pelas mãos de minha mãe, Regina Helena. Lembro-me que coloquei meus pezinhos aqui e nunca mais saí, mesmo quando ainda não havia decidido se seguiriaa a doutrina espírita ou o catolicismo. Estudava no Colégio São José, onde toda minha família estudou, colégio católico e que pretendia fazer a primeira comunhão e fiz, como todas as minhas colegas à época.

            Aos 15 anos decidi que o Espiritismo entraria na minha vida de uma vez por todas, por um simples motivo: algumas perguntas não tinham respostas. Só encontrava na doutrina kardecista. Então resolvi fazer o curso de médiuns neste lar, que era de quatro anos. Uma das minhas colegas foi D. Virgilina, hoje nomeada “bisa” pelo meu filho André Luis. Uma das pessoas maravilhosas que cruzou o meu caminho naquele curso. Tivemos uma professora, D. Maria Antonieta, com uma sabedoria imensa e uma paciência para nos passar aquilo que sabia.

            Como fui para essa casa muito menina conheci muitas pessoas que já foram para o plano espiritual e foram muito especiais na minha trajetória nesse lar: D. Alzira, com seu ar sereno (pelo menos para mim) sempre me chamava de “nossa menina”, D. Nicota (era mais séria, mas nem tanto), D. Maria (com suas histórias – nunca esqueci a história das cruzes), D. Rosina (com aquela carinha de bisa) e seu Picolo (ah!, seu Picolo, sempre brincalhão comigo). E muitos outros passaram. Todos amados. Também fiz amigos da minha idade, filhos de trabalhadores. Dei aulas na Escolinha de Evagelização, que era aos sábados e quem coordenava era a Celinha. Mas, na época eu ficava com os adolescentes e na parte de entretenimento.

            Lá recebi apoio para as minhas alegrias e minhas tristezas. As partidas físicas dos meus avós e especialmente do meu pai que foi tão cedo e totalmente inesperada, para nós, é claro. Se não fosse este Lar, e os irmãos não sei como nós suportaríamos tamanha dor. Foi o entendimento e o suporte que nos fez compreender que tudo tem sua hora, nada é por acaso.

            Mas, a parte mais importante da minha vida, ao fazer tratamento na Sala do Dr. Bezerra, foi aqui também. Antes de receber meu filho fisicamente, eu o recebi no tratamento. Já pressentia que era um menino. Só não sabia que a geração dele não era no meu corpo. Mas, eu estava preparada para isso desde criança.

            Tenho muito a agradecer a esta Casa Espírita, seus trabalhadores espirituais, os trabalhadores encarnados, todos sem exceção. Estão todos no meu coração. Faço menção especial à Elza, pois ela acompanhou de perto todos esses acontecimentos, pois é uma amiga especial e pessoal minha, e foi a primeira pessoa aqui da Casa a conhecer o meu filho e se tornar a madrinha espiritual dele e a dar o primeiro banho nele.

            Que Deus abençoe todos vocês trabalhadores deste abençoado lar seguindo com o trabalho iniciado há 80 anos atrás e muitos anos a mais possam vir.