Voltando a escrever
Hoje meu marido pediu que eu escrevesse qualquer coisa que tivesse vontade. Há tempos ele anda me incentivando a voltar a escrever. Sim, adoro fazer isso, mas sempre achei que meus escritos de adolescência eram tão bobos, apesar que a Dona Luíza, cunhada da minha tia avó Yolanda, adorava lê-los. A última vez que a vi, antes de ficar doente, ela perguntou-me: "Continuas escrevendo aquelas coisas lindas?" Fiquei envergonhada e não respondi. Tinha parado havia muito tempo.Quando hoje, pela enésima vez ele pediu, eu fiquei indecisa, pois estava arrumando a casa e não tinha inspiração e acabei decepcionando-o mais uma vez. Agora, nesse instante ele está no escritório e eu após a labuta de arrumar os armários e acometida pela minha boa e velha amiga "rinite alérgica" resolvi sentar em frente ao microcomputador para jogar e ver os recados nos "e-mails" e "orkuts" da vida, quando de repente não mais que de repente, quis escrever. Mas, o quê escrever? Não faço a mínima idéia ou melhor várias coisas passam pela minha cabecinha de vento: minha infância feliz, minhas amigas do peito, minha família, filmes que vi, livros que li e por aí vai.
Aí, vem a minha mente uma conversa que tive com uma conhecida sobre nossa infância e os aniversários dos amiguinhos. Hoje, as crianças precisam ter festa em "buffet" para se divertir. Lembramos que quando éramos pequenas, não precisávamos de nenhum buffet que nossos pais contratassem. Os doces e salgados eram feitos em casa mesmo, pelo menos comigo era assim. Minha avó materna era a encarregada de sumir comigo, pois eu não deixava ninguém em paz. Ficavam minha mãe, a Pureza e às vezes a Margot (fazia cada bolo decorativo....). Vovó Ondina levava-se a vários lugares, alguns eu me lembro (passei de bonde, à praia do Goés, de "loirinha"), outros ficam por conta das lembranças de minha mãe.
Mas, o que eu quero dizer é que ficávamos satisfeitos em brincar de "esconde-esconde" com nossos amigos, "pega-pega", "mãe da rua", "lenço atrás", "polícia e ladrão" e o que a imaginação mandasse. Não precisávamos de vídeo-game ou "lan house" para juntar a turma. Bastavam duas crianças e fazíamos a festa brincando. Quantas e quantas vezes minha mãe vinha me buscas das brincadeiras por que eu havia esquecido da hora.
Era tão mais saudável e gostoso quando fazíamos em casa. Mas, hoje, cadê o tempo? As mães têm que trabalhar, não têm tempo para tudo isso. Para que os filhos tenham uma educação melhor, tenham tudo o que é preciso, um só trabalhando fica muito difícil. Sem falar nas mulheres, que nem querem chegar perto de um tal local chamado "cozinha".
Eu fico muito feliz quando vejo uma amiga muito querida que trabalha, já fez pós graduação e arranja tempo para brincar com as filhas, e ainda fazer guloseimas para o batizado ou aniversário das bonecas. Tentando dar às meninas o que nós tivemos quando tínhamos a idade delas.
Eu não sei se tudo isso que acontece nos dias de hoje pode ser chamado de evolução, mas quero crer que um dia poderemos resgatar para nossos filhos o que de bom tivemos quando crianças.
Saudosismo, você vai dizer. Estou ficando velha? Não. É o caminho normal da vida. É o rumo que seguimos. Não chamo de saudosismo, apenas digo que as boas lembranças existem para serem tiradas do baú, de vez em quando.
Bom, querido marido, eu escrevi alguma coisa depois de zilhões de anos parada. Zilhões de anos, não. Há cinco anos escrevi uma mensagem para o aniversário de 60 anos de meu pai, mas isso não conta, é fácil falar dele. Mas, estas palavras, não são lá grande coisa, mas já é um começo. Prometo melhorar na próxima.

