segunda-feira, 9 de julho de 2007

Martin Luther King

Recordava, alguns dias atrás, a viagem que fiz, há cerca de 10 anos, para os Estados Unidos e lembrei de uma passagem interessante, na ida de Miami para Nova Iorque. Eu e minha amiga Karin estávamos no balcão, sendo atendidas por uma moça muito simpática, e as televisões noticiavam não só a posse, do segundo mandato, de Bill Clinton, mas o dia de Martin Luther King. Por curiosidade, perguntamos a ela se era o dia de nascimento ou o dia da morte do mesmo. Eu ainda lembro da reação dela, de completa surpresa, respondendo que era o dia do aniversário de Martin Luther King e nos perguntando como o conhecíamos. Ora, aprendemos na escola, foi a nossa resposta (na realidade, nós é que ficamos um tanto espantadas, afinal, achavamos que todos sabiam quem fora Martin Luther King). Com isso, ela não escondeu seu orgulho em razão de nosso conhecimento escolar, e nos confessou que muitos americanos não faziam a mínima idéia de quem fora Martin Luther King. Imaginem a reação dela: duas mulheres brancas (uma loira e outra morena), estrangeiras, perguntando sobre esse ilustre líder afro-americano.
Até hoje fico me questionando como não saber quem foi Martin Luther King, especialmente em se tratando do povo americano.
Por isso que sempre me pergunto: nós sabemos tanto em relação às outras culturas, aprendemos tanto sobre os outros países. E eles ao nosso respeito ?
Lembro-me, quando estava no colégio, tivemos um trabalho em grupo (não lembro o tema), mas a minha turma fez um mapa-mundi enorme com todas as capitais e tínhamos que conhece-las, porque esta seria a matéria da prova. Até hoje ainda me recordo de muitas capitais. Bem, alguns países já até se dividiram, outros unificaram, mas o importante é que aprendemos. No entanto, não é raro alguns estrangeiros mencionarem a nossa capital como sendo Buenos Aires...
Aquele dia em janeiro de 1997, fiquei muito feliz de mostrar para uma norte- americana e afro-descendente que conheciamos quem fora Martin Luther King e o valioso legado que nos deixara. E mais contente fiquei com o largo sorriso estampado no rosto dela quando dissemos quem ele era e o que aprendemos na escola a seu respeito.
Em toda terceira segunda-feira do mês de janeiro é comemorado o dia de Martin Luther King em homenagem a seu aniversário que é dia 15 de janeiro. Ele, como quase todo pacifista, acabou assassinado; o que ocorreu em Memphis, Estado do Tenesse, no dia 4 de abril de 1968.

As tradições esquecidas.

Ultimamente sinto-me atônita com algumas coisas que tenho percebido. Não,... não é sobre política, mas sobre as nossas próprias tradições culturais que, penso, estão desaparecendo.
Semana passada saí com minha mãe e entramos em uma loja que vende produtos de época. Qual não foi minha surpresa: não existiam apetrechos para as festividades juninas, a nossa tradicional festa caipira (somente doces). Existiam, no entanto, para festa "country", chapéus, vestidos...
Ora, onde estão aqueles velhos chapéus de palha, que nossos pais costumavam enfeitar? Onde estão os remendos que se usavam nas calças dos meninos? E os vestidos de chita?
Lembro-me tão bem do meu pai enfeitando meu chapéu e minha mãe fazendo as pintinhas no meu rosto para parecer uma "caipira mirim".
Estamos importando tradições que, obviamente, não são nossas, que não fazem sentido para nós e nenhuma ligação têm com a nossa cultura. Por exemplo: o que o "Halloween" tem a ver conosco? Absolutamente nada. Trata-se de uma antiga tradição Celta que não tem qualquer laço com as nossas origens. Portanto, não faz parte da nossa cultura sairmos fantasiados para pedir doces nas casas vizinhas, como ocorre nos Estados Unidos da América.
Temos um folclore tão extraordinário! Por que não cultiva-lo? Por que não comemorarmos o dia 22 de agosto (Dia do Folclore) e, por exemplo, festejarmos a caráter, vestindo roupas de Iara, saci, curupira, caipora, mula sem cabeça, negrinho do pastoreio, boitatá, boto (este último, realmente, é um tanto difícil, mas acho que até dá para estilizar...)? E tem muito mais.
Mas que mania mais absurda de importar a cultura dos outros! Dá a impressão de que estamos sendo recolonizados uma segunda vez! Temos histórias lindas, lendas maravilhosas! Quem não aprendeu na escola, ou não se lembra, basta ler um dos tantos livros de Monteiro Lobato.
Amigos, penso que temos que despertar para as nossas tradições culturais, abraçando e comemorando o nosso Folclore, as nossas histórias e lendas. Isso sim, deve ser passado para nossos filhos.
É certo que cada país tem as suas tradições culturais, e considero importante que as conheçamos; mas, de forma alguma, que isso ocorra em detrimento da nossa.
Por fim, me questiono o quanto os demais países conhecem a respeito da nossa cultura...