Marley & Spok
Não, não vou fazer críticas ao filme, pois não é essa minha intenção aqui e nem sou profissional para tanto. Quando assisto a um filme sou passional, sou emotiva, gosto de me envolver, e acabo por não ver a parte técnica, a representação dos atores, etc.
Bom, comecei o ano indo com meu marido, no dia primeiro, assistir ao filme " Marley & eu". Já havia lido o livro e eu estava numa expectativa muito grande. Fiquei apaixonada pelo livro, ri, chorei, enfim.
O filme é tudo o que eu esperava, é claro que focou mais no casal, pois o livro menciona mais o cachorro. Mas, é divertido, gostoso de assistir, não compromete.
Confesso tive que segurar muito meu choro na sala do cinema, justamente nas mesmas cenas em que no livro eu botei meu estoque de lágrimas abaixo. Afinal, quando lemos apenas imaginamos como estaria sendo a cena. Em uma filme ela se torna "meio que real".
Acredito que não só quem tenha bichos de estimação tenha se comovido com o filme. Eu, particularmente, me identifiquei muito, especialmente no final. Tínhamos um cachorro, que havia completado seis anos, um cocker spanial preto e branco, chamado Spok (bom, meus amigos sabem porquê, além das orelhas eu sou fã ardorosa de Jornada nas Estrelas) e ele teve o mesmo fim que Marley, por outra doença. Sempre fui contra, mas quando vemos essa criatura que nos deu tanta alegria e nos confortou outras tantas vezes, percebemos que ele não merece isso. Fizemos tudo o que podia ser feito, conversamos com os veterinários sobre as possibilidades de sobrevivência dele e a qualidade de vida que ele teria: um estado de torpor, sem correria, sem brincadeiras, sem latidos chatos (mas fazem uma falta...). Mas, sei que fizemos a coisa certa. Ele faleceu no mesmo dia que meu pai, com seis anos de diferença.
Spok veio para nossa casa, eu ainda era solteira, em dezembro de 2001, porque estava tudo muito silencioso. Foi logo se acostumando ao novo lar. Ele tinha três meses. Acreditem, ele nasceu em 11 de setembro de 2001.
Quando no filme eu vi o Marley consolando Jenny por causa do bebê que ela perdeu, eu lembrei de uma cena com Spok. Aconteceu uns meses depois d sua chegada, e o Spok não era lá muito carinhoso. Era brincalhão, adorava comer, mas tinha um gênio terrível. Eu estava na cozinha, e naquele dia a saudade do meu pai doía muito e estava sozinha em casa. De repente eu sentei no chão e chorei, chorei muito de soluçar, e aquele cachorro marrento veio do meu lado fazendo aquele "sonzinho" de cachorro chorão e meu deu uma lambida no meu rosto como quem diz: "não chora, não, Lú, eu tô aqui", e colocava a patinha em cima da minha perna. Ah, gente, não resisti e comecei a rir e abracei muito aquele cachorro, levantei, sequei as lágrimas e disse: "obrigada, Spok, você é demais!"
Tem pessoas que não dão o menor valor a esses animais, e por mais desordeiros, bagunceiros, barulhentos que sejam eles são as melhores companhias que podemos ter.
Hoje tenho minha gatinha, que também, assim como o Spok, veio para minha casa depois de uma tempestade. E é nossa alegria. Enquanto escrevo ela está aqui ao meu lado dormindo, aconchegada na minha perna, como sempre fazendo companhia. É a minha super-gata, já que o meu super-cão foi para o céus dos cachorros brincar muito, correr e latir sem ter a doença para atrapalhá-lo.


