80 Anos - S.E. 25 de Dezembro
No último dia 29 de junho,
nossa Casa Espírita fez 80 anos de existência. Não me lembro exatamente quando foi a
primeira vez que entrei nesse abençoado lar, trazida pelas mãos de minha mãe,
Regina Helena. Lembro-me que coloquei meus pezinhos aqui e nunca mais saí,
mesmo quando ainda não havia decidido se seguiriaa a doutrina espírita ou o
catolicismo. Estudava no Colégio São José, onde toda minha família estudou,
colégio católico e que pretendia fazer a primeira comunhão e fiz, como todas as
minhas colegas à época.
Aos 15 anos decidi que o Espiritismo entraria na minha
vida de uma vez por todas, por um simples motivo: algumas perguntas não tinham
respostas. Só encontrava na doutrina kardecista. Então resolvi fazer o curso de médiuns neste lar, que era de quatro anos. Uma das minhas colegas foi D.
Virgilina, hoje nomeada “bisa” pelo meu filho André Luis. Uma das pessoas
maravilhosas que cruzou o meu caminho naquele curso. Tivemos uma professora, D.
Maria Antonieta, com uma sabedoria imensa e uma paciência para nos passar
aquilo que sabia.
Como fui para essa casa muito menina conheci muitas pessoas que
já foram para o plano espiritual e foram muito especiais na minha trajetória
nesse lar: D. Alzira, com seu ar sereno (pelo menos para mim) sempre me chamava
de “nossa menina”, D. Nicota (era mais séria, mas nem tanto), D. Maria (com
suas histórias – nunca esqueci a história das cruzes), D. Rosina (com aquela
carinha de bisa) e seu Picolo (ah!, seu Picolo, sempre brincalhão comigo). E
muitos outros passaram. Todos amados. Também fiz amigos da minha idade, filhos
de trabalhadores. Dei aulas na Escolinha de Evagelização, que era aos sábados e
quem coordenava era a Celinha. Mas, na época eu ficava com os adolescentes e na
parte de entretenimento.
Lá recebi apoio para as minhas alegrias e minhas
tristezas. As partidas físicas dos meus avós e especialmente do meu pai que foi
tão cedo e totalmente inesperada, para nós, é claro. Se não fosse este Lar, e os irmãos não sei
como nós suportaríamos tamanha dor. Foi o entendimento e o suporte que nos fez compreender que tudo tem sua hora, nada é por acaso.
Mas, a parte mais importante da minha vida, ao fazer
tratamento na Sala do Dr. Bezerra, foi aqui também. Antes de receber meu filho
fisicamente, eu o recebi no tratamento. Já pressentia que era um menino. Só não
sabia que a geração dele não era no meu corpo. Mas, eu estava preparada para
isso desde criança.
Tenho muito a agradecer a esta Casa Espírita, seus
trabalhadores espirituais, os trabalhadores encarnados, todos sem exceção.
Estão todos no meu coração. Faço menção especial à Elza, pois ela acompanhou de
perto todos esses acontecimentos, pois é uma amiga especial e pessoal minha, e
foi a primeira pessoa aqui da Casa a conhecer o meu filho e se tornar a
madrinha espiritual dele e a dar o primeiro banho nele.
Que Deus abençoe todos vocês trabalhadores deste
abençoado lar seguindo com o trabalho iniciado há 80 anos atrás e muitos anos a
mais possam vir.


